sexta-feira, setembro 29, 2006

Eleições 2006 (2)

Está chegando a hora de votar. Deveremos escolher o presidente, governador, deputado federal, deputado estadual e senador. O Brasil, podemos assim dizer, será entregue de bandeja em alguns casos aos mesmos e, em outros, a novos postulantes aos cargos políticos oferecidos. É interessante notar a vontade com que correm atrás do pote, (sede) ou prato, (fome).

Sede ou fome de se beneficiar com as mordomias tantas, se beneficiar com as possibilidades de levar vantagens em transações escusas ou o desejo patriótico de ajudar o país a se erguer, sair desse marasmo sombrio em que se encontra?

Não sei não, mas considerando-se que a maioria das pessoas honradas, decentes, trabalhadeiras, que conheço, dizem querer distância da política, alguns chegando ao extremo de considerarem uma verdadeira aberração a obrigatoriedade do voto, chego a pensar que somente interesses individuais, particulares, motivam esses candidatos.

Discordo das pessoas decentes que não querem nada com a política ou que reclamam que sejam obrigados a votar, a menos que considerem normal que estranhos dêem rumos as suas vidas. As leis elaboradas por políticos é que decidem nossos destinos, (nossos salários, nossa aposentadoria, aumento da mensalidade dos planos de saúde, continuar ou não existindo o décimo terceiro salário, férias, aumento de tarifas de ônibus, etc...). Tudo que diz respeito a nossa vida, está subordinado as leis elaboradas pelos políticos. Assim, não podemos ficar indiferentes, temos que saber quem são essas pessoas que se propõem a nos representar; precisamos saber quem, brevemente estará lá, por exemplo, no Congresso Nacional, elaborando leis que influenciarão sem dúvida nossa vida.

No que diz respeito aos antigos políticos, podemos saber um pouco de sua atuação política: (foram beneficiados pelo mensalão, são sanguessugas, vampiros, participantes de dossiês, participantes dos escândalo nos Correios? sugiro uma visita ao site http://perfil.transparencia.org.br - informações sobre parlamentares).

Quanto aos novatos, pouco podemos fazer, a não ser lamentar que os apelos que levam alguns a desejarem ingressar na política, são atraentes demais para eles. Bom seria que mordomias fossem extintas e então teríamos pessoas, realmente interessadas em participar da construção e do desenvolvimento do Brasil, envolvidas no processo. Tenho certeza que existem essas pessoas, e um palpite que elas existam, mesmo entre os novatos.

Seria importantíssimo se existissem pré-requisitos para que alguém se candidatasse a um cargo político. Por exemplo, ser capaz de ler, entender e interpretar a constituição, além de necessariamente, ser uma pessoa idônea, o que poderia ser atestado, com folha corrida e alguns outros documentos que poderiam ser criados, se fosse o caso.

Porém como estamos falando desta eleição de 2006, os candidatos são os que se apresentam diariamente no horário eleitoral gratuito e devemos escolher entre eles; nada de voto branco ou nulo porque, ao invés de protestar, poderemos estar ajudando a quem não gostaríamos de ajudar a eleger. Somente os votos válidos são considerados na contagem, não podemos nos esquecer disso.

Nas futuras eleições, vamos exigir que promessas de campanha sejam registradas em cartório e que os políticos sejam obrigados a cumpri-las sob pena de perderem o mandato.

Exigir também que as boas idéias, independente de quem as tenha tido, sejam postas em prática, por quem quer que seja que vença a eleição.

Exigir que qualquer projeto que tenha dado certo, se transforme em lei cabendo então ao “Estado” dar continuidade a ele, deixando assim de ser “propriedade” de políticos, pois não podemos nos esquecer que, o que está em jogo somos nós, cada um.dos brasileiros, o nosso país e não a vaidade de parlamentares.

Política como função e não como profissão; ao final de cada mandato, o político voltar à sua profissão anterior, ou seja, trabalhar na sua profissão para viver.

Finalizando, penso que devemos nos incomodar com certas coisas aparentemente sem solução, mas em principio erradas e tentar transformá-las.

Aristóteles, filósofo grego do século III a.C, diz que “os legisladores tornam bons os cidadãos por meio de hábitos que lhes incutem. Esse é o propósito de todo legislador, e quem não logra tal coisa falha no desempenho da sua missão”.

Do que pensava Aristóteles acerca de 2400anos, podemos extrair que, cabe aos políticos a idoneidade obrigatoriamente, porque são eles que tornarão bons os cidadãos por meio de hábitos que lhes serão incutidos. Assim, me parece que temos todo o direito de exigir que tenham os políticos bons hábitos a fim de que possamos aprender com eles. Cabe aos políticos cuidar do destino do país e seu povo, sendo assim, eles têm que estar preparados moral e intelectualmente, não é função para ser exercida por picaretas desqualificados.

Espero que não seja visto como utopia, pensar que devemos exigir políticos idôneos, capazes de conduzir com dignidade nosso país.

Um comentário:

Ferraro disse...

"Nas futuras eleições, vamos exigir que promessas de campanha sejam registradas em cartório e que os políticos sejam obrigados a cumpri-las sob pena de perderem o mandato". O princípio da moralização, para que a política deixe de ser um jogo, que só interessa a uns poucos. Eu fico pensando como tornar realidade uma idéia como essa, porque para virar lei, seriam os próprios políticos (atuais) que votariam ou um projeto enviado pelo executivo. Não acredito que uma lei como essa, agrade a ambos. Então? Então, os cidadãos poderiam ativar um movimento popular, cobrando dos seus parlamentares, ou melhor, cobrando de todos os parlamentares, e também do executivo, uma lei para moralizar de uma vez por todas, o nosso tão sofrido país. É, só vejo essa saída, digo, essa entrada para um futuro melhor. Abraços. PS: parabéns pela precisão e beleza do seu texto.